Hérnia de disco – diferenças entre cães e humanos

por | set 7, 2020 | blog

A doença neurológica mais comum em cães é a doença do disco intervertebral, também conhecida como hérnia de disco. Essa doença, tão comum também em nós seres humanos, é bem diferente em cães. A hérnia de disco em cães geralmente ocorre no meio da coluna (região toracolombar – T12-T13-L1-L2) e causa compressão da medula espinhal (figura 1), que é parte do sistema nervoso central. Quando a medula espinhal é comprimida o paciente (seja ele cão ou humano) apresenta fraqueza parcial ou completa das pernas, fazendo com que muitos parem de andar, ou seja, ficam paralisados. Por isso que vemos muitos cães com hérnia de disco paralisados (figura 2). Os cães também têm bastante dor na coluna.

Em nós, seres humanos, a hérnia de disco normalmente acontece no final da coluna, bem embaixo, na região lombar (L4-L5-S1 – figura 3). Nesta região não tem mais a medula espinhal, só tem nervos (espinhais e raízes), que fazem parte do sistema nervoso periférico. Por isso nós seres humanos sofremos com muita dor nas costas (lombalgia), e sinais relacionados a compressão de nervos como o ciático, que gera muita dor nas pernas, mas não ficamos paralisados.

Por isso, do ponto de vista neurológico e neurofuncional, a hérnia de disco em cães é uma doença muito mais grave porque comprime a medula espinhal causando paralisia e dor. Portanto o diagnóstico e tratamento imediato de cães com paralisia aguda é muito importante para que voltem a caminhar. A demora no diagnóstico e tratamento correto desses pacientes pode fazer com que muitos fiquem paralisados para sempre.

Ressonância magnética de um cão com hérnia de disco (extrusão do disco intervertebral) com compressão da medula espinhal no meio da coluna (círculo demonstrando a compressão na região T12-13).

Figura 1 – Ressonância magnética de um cão com hérnia de disco (extrusão do disco intervertebral) com compressão da medula espinhal no meio da coluna (círculo demonstrando a compressão na região T12-13). Este cão estava paralisado e com bastante dor. Foi realizada cirurgia no mesmo dia que ele ficou paralisado e ele e voltou a andar (sem dor) 2 dias depois da cirurgia. A flecha amarela mostra o local típico das hérnias em humanos no final da coluna. Essa figura mostra também como a coluna de cães é mais longa que a nossa porque os cães tem 3 vertebras a mais na região toracolombar.

Postura típica de um cão paralisado (paraplégico) com hérnia de disco intervertebral na coluna toracolombar.

Figura 2 – Postura típica de um cão paralisado (paraplégico) com hérnia de disco intervertebral na coluna toracolombar. Fonte: Livro Dewey e da Costa – Neurologia Canina e Felina – Guia prático. Editora Guará, 2017.

 

Ressonância magnética de um paciente humano mostrando hérnia de disco no final da coluna (círculo em L4-5) causando grande compressão.

Figura 3 – Ressonância magnética de um paciente humano mostrando hérnia de disco no final da coluna (círculo em L4-5) causando grande compressão. Outra hérnia pequena pode ser observada logo abaixo (L5-S1). Estas hérnias causam muita dor, mas não causam paralisia.

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